Moçambique enfrenta um dilema cambial que ameaça corroer silenciosamente o tecido económico e social do país. Apesar da aparente estabilidade dos indicadores oficiais, como a recuperação das reservas internacionais líquidas, da cobertura das importações e do saldo da balança comercial, empresas e famílias enfrentam uma escassez crônica de divisas no mercado formal, sendo forçadas a recorrer ao mercado paralelo, onde a taxa de câmbio é significativamente mais elevada. Esse contraste expõe falhas nos mecanismos institucionais de alocação cambial e levanta sérias dúvidas sobre a transparência e a eficácia das políticas económicas. Urge perguntar: quem realmente paga o preço desta estabilidade cambial artificial? Esta análise busca revelar essas tensões e refletir criticamente sobre suas consequências para a vida económica e social em Moçambique.




