A análise do Balanço do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (BdPESOE) 2025 evidencia um padrão de ajustamento orçamental marcado por fortes restrições de financiamento externo, por uma crescente dependência do crédito interno, compressão significativa do investimento público e por um recuo na transparência orçamental.
Embora a execução global das despesas se situe abaixo do previsto, 87%, a composição desse ajustamento revela escolhas orçamentais claras: que preservam a despesa de funcionamento (com execução de 100% e um peso de cerca de 78% do total das despesas) enquanto reduzem o investimento público (com execução de 59% e um peso de apenas 13% do total das despesas). O próprio desenho do Orçamento do Estado para 2025 confirma o estreitamento do espaço de financiamento externo, com apenas cerca de 7% de recursos provenientes de créditos e donativos externos, face a 93% de recursos internos (receitas do Estado e crédito).
Esta consolidação fiscal, assente na redução de investimentos públicos, na maior dependência de financiamento interno e na diminuição da transparência, fragiliza a capacidade produtiva, compromete a formação de capital e limita a expansão futura da base tributária, com potenciais impactos negativos sobre o crescimento económico e a inclusão social.




